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Pedro insatisfeito
Com aquela proteção
pois passou a perceber
Que ali tinha armação
E que aquela mulher
Estava endoçando João.

_ Vamos dar uma voltinha
Vou te mostrar o paraíso
Tu vais ver a cobra
Que fez tanto prejuízo
E se não tiver a maçã
Eu arrumo um improviso..

_ Eu não quero ver a cobra,
Pois me traz muita lembranças
Lembro do meu japaca
Lá na cidade de bragança
Que me mostrava a tal cobra
Desenrolada e sem esperança.

E por dentro do paraíso
Eles foram passeando
São joão desconfiado
pois estava pecando,
Satisfeita Meus Amores
Algo estava planejando.

_ Eu quero tomar uma pinga
Daquela de Abaeté
Quero ver o meu japaca
E vê se larga do meu pé
Que eu não gosto de Santo
Nem mesmo deSão Sosé.
São josé atrás da árvore
Estava tudo observando,
por que a mando de seu Pedro
Vinha ali investigando
As peripécias que joão
Estava quase aprontando.

E papo vai,papo vem
São João agonizava
A cobra não dava o bote
e a maçã escapava
E são José escondidinho
O momento certo esperava.

_ Vamos lá minha gatinha
Estou louco por você
Peça o que quiser
Que eu dou um jeito de trazer
Até mesmo uma cachaça
que a gente possa beber.

_Vai buscar essa cachaça
E a gente pode conversar
E se esta for boa
pode até algo rolar
E que sabe a cobra
Não vai a maçã achar?

_Eu vou, mas não demoro
Você vai me esperar?
Vou ao armario de Pedro
Cana boa encontro lá
Que vem de Minas gerais
e também do Paraná.


Wilson quadros





_Seu diabo por favor,
Estou sendo ,maltratado
Se não me derem cachaça
Vou acabar sendo finado
Fale para meus colegas
Que já paguei os pecados.


Foram todos chamados
Para uma grande reunião,
E todos fizeram as pazes
No encerramento da sessão
E depois comemoraram
Com a cachaça de um camburão.


Meus amores no céu


E lá no céu meus amores
Procurarava por boteco
E perguntou a são pedro
Onde ficava o tio neco
Ou até mesmo a boate
do falecido jaleco.


Perguntou  pelo "jiboião"
Indagou sobre o "jacaré"
Se no céu tinha o "pitinga"
Com bastante mulher
Ou se a " Maria pandeiro"
Ainda estava de pé.


São pedro enfezado
Afastou meus amores
Com um grande empurrão
Sendo que ela caiu
Bem perto de São João.


_ O que é isso Pedroca,
Eu só quero uma cachaça
Não precisa me empurrar
Nem me fazer ameaça
Vou contar a Jesus Cristo
Dessa sua arruaça.


São joão assustado
Sem entender a situação
Já perguntava a pedro
O porquê do empurrão
E admirando meus amores
Sentiu grande paixão.


Disse Pedro a joão:
_vou contar o que acvonteceu
Esta mulher veio da terra
De tanta pinga morreu
Ela pensa que aqui no céu
É terra de zebedeu.


_ Não esquenta São Pedro.
Respondeu-lhe joão.
Piscando a meus amores
e lhe pegando na mão
Meus amores satisfeita
com essa possível paixão.


Perguntou Meus Amores:
_O que tu queres João?
E este lhe respondeu:
_Quero pegar sua mão
E juntá-la a minha
para fazer-mos uma união.


Wilson quadros

O japaca foi entrando
Naquela imensa quentura
Eram dez milhões de graus
Maior que qualquer fervura
E ele foi normalmente 
Sem nenhuma frescura.

Na ala dos cachaceiros
Era a maior animação
 A cachaça vinha  fervendo
Numa panela de pressão
Com tira gosto de brasa
Na  ponta dum vergalhão.

O comandante era o " Bulanda"
Que se aproximava dançando
Mais um monte de cachaceiros
Logo atrás vinham cantando
Já todos embriagados
Mas ninguém vinha chorando.

Japaca pediu um gole
e o diabo ficou olhando
a cachaça entrou macia
E o capeta ficou babando
Pediu uma outra dose 
E o tira gosto chupando.

_ Você é cachaceiro bom
Nunca vi outro igual
Nem parece ser humano
Parece ser um animal
E está no lugar certo
Aqui não vai se dar mal.

_ Escuta aqui diabo feio
Seu resto de prega do cu
Eu quero muita cachaça 
com tira gosto de cururu
Esse negocio de chupar brasa
Eu já fazia lá no tatu.

_ Quando eu vivia na terra
Todo dia bebia cachaça
Mas não era briguento
 Nem fazia arruaça
Mas um dia tomei um porre
E sofri grande desgraça.

_ Você foi expulso do céu
E no inferno veio parar
E daqui só vou sair
Se teu amor vim te buscar
Ou do contrário aqui
Viverá até murchar.

O japaca lá ficou
Naquele clima infernal
E como era novato
Todos o trataram mal
Não lhe dando cachaça
Mas sim água mineral.
_ E assim seus pecados 
começou a pagar
Pois só bebia cachaça 
 se o diabo viesse a visitar
Por não estar satisfeito
 começou a se queixar

Obra de Wilson Quadros-Textos “Komi cus”

5º Capítulo de 16.

Japaca foi logo entrando
Naquele horrível lugar
Tinha Diabo para todo lado 
Com os chifres a espantar
Os rabos maior que o corpo
E os dentes a brilhar.

O lugar era muito quente
E aqueles diabos suando
E no meio de todos os diabos
Japaquinha ia passando
Viu lá uns conhecidos
Que acabou se lembrando.

Entre muito os diabos
Que na terra conheceu
Tinha um tal de lafandico
Que de perverso morreu
Pois a polícia o matou
Pelos crimes que cometeu.

Tinha o diabo Bigson
Que matou o Geraldinho
Geraldinho que virou diabo
Porque não era bonzinho.

Tinha muitos outros diabos
Em diversa situação
Mas cada turma de Diabos
Tinha seu próprio vão
Eram separados por crimes
E comandados por um chefão.

_ Aqui não tem cachaceiro
Disse ao diabo feisio.
_Eu nunca matei ninguém
Logo não sou criminoso
Só bebia umas cachaças
Quando estava nervoso.

_ Aqui tem muito bandido
De político a homicida,
Tem até muitos prefeitos
e viúvas entristecidas.

_ Os ladrões mais importantes
Têm seu devido lugar
Mas como não sou ladrão
Onde é que eu vou ficar?
Porque não cometi crimes
Nem mesmo de enganar.

Disse o diabo ao cachaceiro:
_ Eu não posso te perdoar
Seu lugar está guardado
Perto do último andar
Lá é o vão dos pinguços
E seu quarto está a esperar.

Wilson Quadros




Romeu e Julieta e numa versão canina

4ª parte de 4 (final)

Um dia sem esperar
Algo estranho aconteceu
João ficou muito triste
E logo empalideceu
Não comia e nem dormia
A noite toda gemia
Não demorou e morreu

Agora vou narrar
O ápice desta história
Do casal Meg e João
Que não teve muita glória
Um caso de sofrimento
E de um amor ciumento
Pra registrar na memória


Chegou um dia na rua
Vindo do maranhão
Um cão velho e magro
Os olhos em dilatação
O rabo todo cortado
O nariz do lado rachado
E uma bicheira na mão

Um lado da pata traseira
Tinha um corte de terçado
O lado direito tinha
O joelho todo amassado
Na barriga do animal
Um verdadeiro lamaçal
De pulgas num assanhado

Fora no passado caçador
Bom de capivara e tatu
Tinha mestrado em paca
Doutorado em catitu
Nas horas de folga fazia
Na faculdade de Alexandria
PHD em pirarucu

Corria a cem por hora
Dava salto mortal
Seja paca, tatu ou anta
Pegava qualquer animal
Fosse de noite ou de dia
Fosse anta ou cotia
Era Pra ele normal

Mas com o passar do tempo
Houve grande preocupação
Porque milhares de animais
Ficaram em risco de extinção
Outros foram perseguidos
Muitos outros comidos
Lá na mesa do patrão.

O cão valente e feroz
Num dia de perseguição
Viu um cria e os filhos
Numa boa amamentação
Se recusou a pegá-los
Ou até mesmo devorá-los
Por pena ou comoção.

Fora muito maltratado
Sofrera perseguição
Perdera o posto de líder
Sofrera humilhação
Desse dia em diante
Aquele cão possante
Tomara uma decisão.

Resolveu não caçar mais
Para fúria de seu patrão
Que nem mesmo hesitou
Em deixá-lo em solidão
E assim o cão humilhado
Tomou rumo ignorado
Para um outro torrão.

Andou dias e noites
Passando necessidade
Não comia e não dormia
Mais tinha sua liberdade
Não caçava mais animais
E nem tinha um capataz
Incentivando à maldade

E assim foi definhando
Conforme já foi narrado
Encontrou um novo amo
Um homem civilizado
Que o trouxe do Maranhão
Em cima de um caminhão
Muito bem acomodado.

Chegando por aqui
Ficou meio encabulado
Tornou-se amigo do João
E andavam lado a lado
Mas quando a Meg o viu
Sentiu logo um calafrio
Da cabeça até o rabo.

Deixou o João de lado
E só atrás do estrangeiro
Que já estava mais forte
E já andava até ligeiro
O dito cuja era o motorista
E o João era o passageiro

Foi amor à primeira vista
Da cadela e o caçador
O João ficou pra trás
Sentindo bastante dor
Passou a viver na solidão
E morreu de depressão
Como um cão sem valor.


Wilson Quadros

3ª parte de 4

Acontece que o patrão
Toda semana viajava
E no quarto de cima
A Meg ele trancava
Mas João muito esperto
Viu um espaço aberto
E por lá entrar planejava.

Mas por promiscuidade
Contratou um segurança
Um senhor já de idade
Mas de muita confiança
Que ia de dia e à noite
Sempre na mão um açoite
Pra fazer uma matança

Ficou esperando João
Vários dias de cautela
Até haver uma distração
Pra entrar pela janela
Até que este dia chegou
Foi uma noite de amor
Que não existe em novela.

Quando amanheceu
E o segurança entrou
Algo errado percebeu
E o açoite trabalhou
O cão saiu contente
Daquela noite excelente
Regada com muito amor.

Apesar de ser açoitado
Ele saiu sorridente
Era um pobre coitado
Mas no amor era valente
E mesmo sentindo dor
Ele promoveu muito amor
Aquela cadela carente.

Depois que tudo passou
Algo de bom aconteceu
João, portanto engordou
O pêlo logo desenvolveu
As feridas também sararam
As pulgas todas saltaram
Só o rabo que não cresceu

A Meg a barriga cresceu
E raivoso ficou o patrão
Não demorou logo nasceu
O fruto dessa união
O que a Meg não gostou
Foi a mudança que se passou
Pela cabeça de João

Os filhos meio estranhos
Não pareciam com João
Os olhos eram castanhos
Havia umas pintas nas mãos
As orelhas avermelhadas
As narinas bem afinadas
Que até chamavam atenção

O Pai muito desconfiado
Observava com cautela
Pensando precipitado
No coração uma procela
“Será que em vadiagem
Teria a Meg coragem
De ter pulado a janela?”


Ou seria apenas incerteza
Por ela ter outra cultura
E o João na pobreza
Criado só na amargura
Só sei que esta história
Está guardada em memória
Da nossa literatura.

Aquela em qual Bentinho
Desconfiava de Escobar
Pois Capitu com carinho
O convidava a bailar
Gerando uma confusão
Ou uma possível traição
Que Machado veio a narrar.

E assim estava o João
Psicologicamente abalado
A Meg não dava atenção
E ele muito desconfiado
Porque na rua da casa
Ela já arrastava a asa
Pra outro cão mais safado.




Wilson Quadros

Romeu e Julieta numa versão canina.

2ª Parte de 4

Pela rua o João vivia
Lá mesmo se alimentava
Debaixo dos carros dormia
Bem cedo se levantava
Dava um grande passeio
Mas mesmo sem asseio
A Meg o paquerava

Os olhos logo brilharam
Uma paixão grande nasceu
Como aquela que contaram
Da princesa com o plebeu
Ou aquela em que Julieta
Aquela mulher perfeita
Se apaixonou por Romeu.

Mas ela vivia isolada
Presa numa corrente
Muito bem alimentada
Gordinha toda contente
O João se aproximava
O dono dela o chutava
E o expulsava do batente.

Mas ele não desistia
Todo dia se aproximava
E quando ela o via
Muito o rabo balançava
Mas o João sem esperar
Com o coração a palpitar
Uma pedra lhe alcançava.

Rosnou e voltou chorando
Com um fervor no coração
A cabeça vinha sangrando
Vinha uma brecha na mão
Tristemente se deitou
A tarde toda chorou
Aquela grande paixão


Ficou dias em solidão
Já não mais se alimentava
Sentia que a depressão
Dele se aproximava
E já muito debilitado
Vivia triste e calado
Só no amor que pensava.

Enquanto isso a cadela
Por outro lado sofria
Apesar de ser a mais bela
Estava magra a cada dia
Rejeitava os pretendentes
Os calmos e os salientes
Fosse de noite ou de dia.

Por descuido da patroa
Um dia ela se soltou
Deu uma corrida boa
E pro João se atirou
Até pareciam gente
Que de tanto contente
Uma idéia brotou.

Mas foi tudo muito ligeiro
Esse grande acontecimento
Pois o dono dela matreiro
Chegou ao mesmo momento
Mas fez o João uma festança
E prometeu a vingança
Pra aquele dono ciumento.

1º parte

           
Longe do tumulto da cidade
Mora um homem de nome desconhecido
Que tem na antiga aparência
O descuido usual de um empobrecido.

Numa distante e pacata serrania
Um homem triste vivia sozinho
E ficava sempre a escrever
Entre um e outro gole de vinho.

E, as vezes deixava o papel na mesa
Depois saia como um velho inglês.
Com paciência e pontualidade
Voltava escrever, sobre o amor, talvez?

E todos os sonhos daquele senhor
Com os versos no papel permaneceu
E enquanto a noite caia o velho
Com o cachimbo na boca adormeceu...

Sentado na poltrona empoeirada
Com a lareira crestando, o cão latia.
E pouco a pouco se aquietava
E junto dele, a casa dormia.

Quando o albor brilhava lá fora
Era um novo dia e novamente
O velho levantava e nos hábitos
Triste respirava tão deprimente.

Depois, com as mãos trêmulas
Aquele triste velho chorou
Arrancou uma folha esmaecida,
Que ele lia cheia de dor.

Com dificuldade o velho a amassou
E com o olhar posto no vazio:
Falou ainda com a voz embargada
Uma frase forte, mas pueril.

Aquele conde que era triste
guardava no caderno as poesias
A história de sua vida contada
Em versos, que ele lia todos os dias.

Aquele era o conde ordeiro.
Que mantinha no seu coração
A saudade que pungia e torturava
Fazendo-o perder a razão.

Ele era homem de grandes posses
E todos invejavam o seu dinheiro
Talvez fosse por isso que diziam: "
Como é rico o conde ordeiro!"

No entanto, a desilusão era maior.
E naquela espectral aparência.
Assustava todas as criacinhas
E  desafiava os métodos da ciência.

Que paradoxo inverossímel 
Ser rico, mas viver triste e solitário
Enquanto vê desaparecer
A cada ocaso, os dias do calendário.

Em breve a segunda parte......  ( Ivo André)


Poema feito e enviado por Ivo André, estudante
do 3º ano de Instituto Santa Teresinha.
Quer enviar o seu?  Clique aqui.










Obra de Wilson Quadros-Textos “Komi cus”

4º Capítulo de 16.

_ Escuta aqui, ó seu diabo
Chifre de boi zebu
Eu estou com muita fome
E posso comer até urubu,
E para começar traga uma cachaça
Rabo de surucucu.

_ Vamos entrar no inferno
E eu te dou uma cachaça
Feita à base de chumbo
Que corrói até carcaça
Com tira gosto de fél
Aqui, é a bebida da praça.

_ Essa cachaça é da boa
Acho que vou gostar
Se o " canhoto" aqui tivesse
Comigo ia apreciar. 
Principalmente Meus Amores
Run! essa sim ela ia amar.

O diabo eu uma gargalhada
E para o japaca olhou.
O pobre ficou com medo
Que a cueca sujou
Lembrou de meus amores
E o coração balançou.

_Por que ri satanás?
Está me metendo medo!
O que fizeste a minha amada
sabes de algum segredo?
Onde está meus amores
Caiu de algum arvoredo?

_ sua amada morreu
De tanto tomar cachaça
Ela está no céu
Fazendo a pedro ameaça
Ela que encontrar você
Mas proibirei que o faça.

_ Por favor, diabo feio
Eu quero voltar para o céu
Falar com meus amores
E carrega-la em um corcel
Preparar meu casamento
E partir para a lua de mel.

_ Você foi expulso do céu
E não pode mais voltar
Seu lugar é aqui no inferno
E vamos logo entrar
Vou te mostrar o quarto
Onde tu vai morar.

_Escuta seu diabo
Eu não posso aqui ficar
Este lugar é muito quente
Ganha o sertão do ceará
Quero voltar para o céu 
E com meus amores ficar.

_Vamos logo entrando
Ou te dou um pescoção
E te coloco para dentro
Na base do empurrão
Te ponho de castigo 
Dentro de um camburão.